26 de jul de 2014

Contador em LaTeX com referência cruzada

Quem usa LaTeX sabe que é possível referenciar figuras, tabelas e equações através de labels, porque usa contadores internos, como variáveis de programação mesmo. Então, é possível, sim, ter um contador ao longo do texto e fazer referência a esse contador.

Minha primeira tentativa foi usando os comandos \newcounter{foo} e \addtocounter{foo}{1}. O primeiro, que vai no preâmbulo, define uma variável foo que vai ser incrementada ao longo do texto através do segundo comando, onde o número entre chaves é o número a somar ao contador. Esse sistema funciona para referências diretas, por exemplo, se eu estiver falando Tabela 3 em vez de tabela a seguir, basta incrementar o contador e mostrar, no texto, quanto vale o contador (eu usei o \arabic{foo}). A referência que usei para essa tentativa foi o LaTeX Counters.

Então, percebi que, se precisasse referenciar ao tal foo mais à frente do texto, perderia a referência, pois só teria o valor atual de foo (se, por exemplo, forem colocados dois foo entre onde quero referenciar e onde estou referenciando, vou obter foo+2). Se acharam confuso, aposto que este tópico está ainda mais, vejam o exemplo abaixo para esclarecer.

A solução foi com os comandos \newenvironment e \refstepcounter. No primeiro, defino o nome do novo ambiente entre chaves e o número de argumentos a ser recebido entre colchetes. O segundo serve para guardar uma referência numa label a este número. (Mais sobre o \newenvironment em Wikibooks). A seguir está o código:

  1. \documentclass{article}
  2.  
  3. \newcounter{tabela} \setcounter{tabela}{0}
  4. \newcounter{subtabela}[tabela] \setcounter{subtabela}{0}
  5.  
  6. \newenvironment{tabela}[1]
  7. {
  8.    \refstepcounter{tabela} %contador
  9.     \textbf{Tabela \thetabela} #1
  10. }
  11.  
  12. \begin{document}
  13.  
  14. \tabela{Primeira Tabela}\label{um}\\
  15. \tabela{Segunda Tabela}\label{dois}\\
  16. \tabela{Terceira Tabela}\label{tres}\\
  17. \tabela{Quarta Tabela}\label{quatro}\\
  18.  
  19. Tabela 1 = \ref{um}\\
  20. Tabela 3 = \ref{tres}\\
  21. Tabela 2 = \ref{dois}\\
  22. Tabela 4 = \ref{quatro}\\
  23. \end{document}

O comando \tabela recebe como entrada o texto da tabela e dá como saída em negrito seu número, seguido do texto. Abaixo a saída gerada:

9 de jul de 2014

Copa das Copas

Em meio às acusações de complexo de viralata (ou o retorno do coxinhismo) e às constatações de onde o Brasil é inferior à Alemanha, venho aqui falar da dita Copa das Copas, que fez por merecer o nome, apesar das obras superfaturadas, dos atrasos e do viaduto caído em BH. Nunca fui a favor da realização da Copa por aqui, pelos mesmos motivos que todo mundo fala: temos outras prioridades, o famoso "dinheiro pra saúde e educação". Além disso, tenho meus motivos para secar a seleção brasileira, em especial, o fato de já ser o país com mais títulos.


Mas pouco muda na minha relação com a Copa, independente de onde está sendo realizada. Senti muito pouco da copa, apesar de morar em uma cidade sede, era a mesma sensação de como se estivesse sendo realizada em outro lugar, provavelmente por conta da minha falta de contato com a Zona Sul e o Maracanã. O mais próximo que estive da copa foram duas situações: uma interdição de trânsito na Barra, para a passagem de um ônibus de Referees (árbitros) e ver o favelão de acampamentos no Terreirão do Samba. Para poucos, a copa realmente pode ser vista ou pelo menos sentida. Vista por muito poucos mesmo, ao vivo, onde a maioria dos ingressos era de patrocinadores, os vendidos eram caríssimos e ainda com casos de cambistas na própria FIFA [link].

Refferee bus

Avenida Ayrton Senna na Copa, mais especificamente o Cebolão

Vigilância na porta do hotel
A abertura foi bem frustrante, com meia dúzia de componentes, rendendo várias piadas, e, como cereja do bolo, o cadeirante que ia dar o pontapé inicial da Copa acabou aparecendo num flash de 3 segundos, como pode ser visto no vídeo abaixo. E, vamos dar um crédito pra Globo que tanto é criticada, se não fosse o Galvão Bueno e/ou a produção da Globo, o exoesqueleto ia realmente ficar esquecido, porque eu, que só vi a abertura esperando esse momento, não sabia ao certo se aquilo tinha acontecido mesmo ou se ele ainda estava se preparando para dar o pontapé inicial, imagina pra quem sequer sabia da história.


Aconteceu que o Galvão Bueno repetiu as imagens e, no fim das contas, todo mundo, pelo menos no Brasil, conseguiu ao menos saber que existe esse projeto, com gente brasileira, isso sim, um orgulho. Uma pena a dona Fifa reduzir o tempo de 5 minutos para 30 segundos e filmar 3 segundos (sim, quem mostra todas as imagens da Copa não é a Globo, nem a Band nem o SporTV, mas a própria Fifa).

Festinha de Escola é confundida com Abertura da Copa
O fato da copa ter sido no Brasil pode ter motivado mais as pessoas a acompanhar os jogos, até por uma influência da própria transmissão que, em vez de mostrar só os jogos do Brasil e alguns jogos soltos, mostrou TUDO, até Rússia x Coréia do Sul. Como a transmissão das Olimpíadas de Inverno pela Record foi um fiasco (só deu pra acompanhar pelo SporTV), já estava até conformado em ver só alguns jogos, mas nesse ponto, capricharam. No fim das contas, desconfio daquela história que brasileiro não gosta de MMA, mas sim de ganhar. E incluiria aí o próprio futebol. Muita gente não queria saber da Copa, queria saber de ganhar. E agora, estamos aí numa disputa de 3º lugar e duvido que cantem os hinos como cantaram a copa toda.




Os hinos foram outra parte do espetáculo que fez jus ao nome de Copa das Copas. OK, que o Brasil cantasse o hino alto e forte (posso estar enganado, mas, ao contrário do que anunciaram por aí, essa continuação do hino em capela não começou na Copa das Confederações, mas sim no vôlei), mas a boa surpresa é que quase - se não todos - os países latinos e os EUA tiveram seus hinos cantados em bom som, e alguns desses tiveram que ser continuados, mesmo após serem cortados, justamente como fez a torcida brasileira. Quando isso aconteceu pela primeira vez, pela primeira vez, gostei da copa aqui. Trouxe nossos hermanos e fomos sua segunda casa. Torci para cada seleção latina e até pros EUA, que geralmente torço contra, no jogo em que enfrentou a Bélgica. E fiquei triste a cada saída latina, do México, do Uruguai, do Equador na primeira fase, do Chile e da Colômbia, e da incrível Costa Rica.


Se essa copa tem um vencedor por audácia, sem dúvidas a Costa Rica tem o primeiro lugar. Saiu do grupo da morte como primeira do grupo, onde era esperado que fosse o saco de pancadas. O segundo lugar provavelmente ficaria com a Argélia. A Austrália, que também era candidata a saco de pancadas, conseguiu jogar com competitividade e deu algum trabalho. Na verdade, tirando Honduras e Camarões, nenhum time foi mole não. O Japão e a Coreia também demonstraram merecimento de sua presença na copa. A decepção negativa é, claro, Portugal, por quem torcia e sequer passou da primeira fase. E provavelmente muitos apontarão também a Bélgica, que veio cheio de marra, mas não vi nada demais e bem feito, perdeu.

Musa da Copa

A Copa das Copas teve grandes jogos, dos vencidos no fator de cagaço (ou, como aprendi, o handicap), a própria Costa Rica levando para os pênaltis e perdendo frente a um goleiro que entrou pela Holanda só para isso (mais um momento louco e memorável). Tivemos goleadas (principalmente no Fonte Nova) e nesse momento não consigo lembrar das outras goledas pela mais recente e também memorável da nossa seleção, o 7 x 1 pra Alemanha, mas isso ficará pro final.

MiCk JaGgeR
Pra quem acha que a Copa é algum pão e circo, eu digo que copa é, sim cultura, e, indiretamente, lá se foi nosso dinheiro para a educação. Claro que esse "indiretamente" foi bem indireto mesmo, mas acompanhar a Copa trouxe cultura para o povão. Conhecer os hinos, aprender, mesmo que seja um texto pronto lido pelos narradores, sobre os países, em especial países pouco conhecidos, como a Bósnia-Herzegovina (eu pelo menos aprendi pesquisando que esse país tem muitos muçulmanos, e que tem uma tira azul do lado da bandeira, o que eu achava que era erro de impressão). O evento em si é fascinante, mas temos que ter em mente que, de santa, a Fifa não tem nada. Tem muita mutreta por debaixo dos panos, infelizmente. A diferença é que alguns países podem se dar ao luxo de consumir esse entretenimento, enquanto que nosso país precisa trabalhar mais pra poder relaxar.



E acho que trabalhamos pra superar nosso complexo de vira lata. Em certos sentidos, levamos de goleada, sim, mas, acredito que muita gente que de fato sofre com o complexo de vira lata aprendeu que nosso país não é só zueira, tem vantagens óbvias, como o clima e a receptividade (com até alemão querendo virar brasileiro [link]). Queria observar que nosso hino é um dos poucos totalmente laico (sem referências a deus ou alah), apesar do país não ser bem assim (mas, bem que podia ser). Mostramos ao mundo que aqui não é baguncis (prisões lá do caso dos cambistas), mas também que aqui não é só festa não (protestos, mais na época. da copa das confederações, desconfio que na copa, aconteceu algum abafa suspeito).

Fifa go Home no Arpoador - Eu achei que ia sumir rápido, mas passei lá duas vezes no intervalo de um mês e continuou. Tá bem visível, num dos lugares mais visitados do RJ. Créditos da foto para latereseta (instagram)

Pra finalizar, tivemos o Neymar quebrado ao meio, mas sem perder a oportunidade de mostrar um patrocinador (helicopterozão do SUS #sqn) e centenas de piadas. E comparações para lembrar que ter peninha do Neymar fica sem sentido quando tem um viaduto novinho caído, gente desapropriada e funcionários mortos na construção do Itaquerão [links, links e mais links]. Fred também foi alvo de piadas e, coitado, virou o culpado da derrota. Tanto o cara que quebrou o Neymar quanto o Fred precisam sair do país logo, pois vão ser linchados, até porque, andamos aprontando com esses linchamentos [link e link].

Neymar, de exoesqueleto. Vi no twitter

Sobre o 7 x 1, eu ri muito, acho que toda a minha secada só fez efeito nesse último jogo e criou muitas piadas, ótimas piadas, então, deixo algumas delas aqui embaixo, para vosso deleite.












Dos três que sobraram (estou disputando com o jogo da Argentina quem acaba primeiro pra poder falar dos três), sinto simpatia por todos. A Alemanha que vem trabalhando há tanto tempo com essa mesma turma merece ser premiada. A Argentina que está há tanto tempo sem ganhar, merece vencer quase em casa e tirar a hegemonia européia. E a Holanda que já tá há tanto tempo tentando e nunca ganhou nada, podia ter sua chance agora. Será uma pena pros outros dois perderem, mas é assim a vida. E confesso que minha tendência é torcer pela Argentina. Deixa os caras ganhar em casa.

Oi eu tenho 24 anos, 28, e eu sou highlander. E nunca vimos a Alemanha/Argentina/Holanda ser campeã.

E, no final, passou uma copa e continuo sem saber por que a Holanda é laranja, o Japão é azul e a Austrália é amarela. E como bom brasileiro, vou entregar o post inacabado, a ser remendado pelas futuras administrações, em cima da hora, com a Argentina com dois pés na final com os pênaltis.

(Edição, remendei os furos e estou entregando o post pronto, 4 horas e meia depois do prazo, porque eu sou brasileiro com muito orgulho e muito amor. Claro que não revisei, isso fica para a próxima gestão)

Quem sou eu

Raphael Fernandes
Carioca, Brasileiro, Estudante de Robótica
Hiperativo, Imperativo
Gosto de tecnologia, de transporte, de Rock, de reclamar e de propagandas criativas (e outras coisas que posso ter falado em um post ou não)
Musicalmente falando, sou assim.

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