25 de dez. de 2023

Linha 785D Charitas x Barra da Tijuca - Por que não Linha Amarela?

 Recentemente, foi lançada, com pompas de linha de ônibus revolucionária, a nova linha que tem o suposto objetivo de ligar Niterói à Barra. Essa é uma demanda há muito tempo falada pelos moradores de Niterói e São Gonçalo, mas que parece não ter sido tão satisfatória por não fazer o caminho pela Linha amarela. 

Retirado do Cidade Niterói (Foto: Detro) 

A linha tem dois tipos de serviço, o comum e o executivo, funcionando apenas 4 vezes ao dia, 2 por turno. Parece estranho ser uma linha autorizada mas em caráter experimental. Os horários, conforme divulgação são os seguintes:

  • Ônibus comum (Bilhete único)
    • Saindo de Niterói
      • 5 da manhã
      • 14:15
    • Saindo da Barra (Shopping Aerotown)
      • 8 da manhã
      • 17:00
  • Executivo ("Tarifa"/"Frescão")
    • Saindo de Niterói
      • 5:30
      • 13:45
    • Saindo da Barra (Shopping Aerotown)
      • 8:30 da manhã
      • 16:30

O trajeto, que pode ser conferido no Moovit, além de não passar pela Linha amarela, que seria o caminho mais direto, parece não se integrar com o sistema de transportes da própria Barra, não passando pelo Terminal Alvorada - apenas margeia e permite embarque na passarela de acesso. A linha mais parece ser um lobby de moradores da Zona Sul para poder ter um ônibus para a Barra por dois motivos principais: de Niterói para a Gávea, já existem linhas bem frequentes da própria empresa 1001 e, de lá para a Barra, também existem diversas linhas para a Barra. E o segundo motivo principal para não ser considerada uma otimização do transporte é que a linha é concorrente do sistema de metrô e até mesmo BRT, já que na instalação desses modais, foram retiradas diversas linhas para que os passageiros fossem forçados a usar os sistemas de pista exclusiva que são mais eficientes (apesar de ressalvas da lotação). 

Então, ficam as perguntas: por que não utilizar outro caminho, a linha amarela, que seria uma novidade e efetivamente estimularia os passageiros de Niterói e região a fazer o caminho completo, sem tirar a oportunidade de quem já prefere o caminho pela Zona Sul feito por outras linhas da mesma empresa? Será que a linha vai acabar "flopando" e a conclusão do "experimento" vai concluir que deve-se continuar tendo os mesmos serviços? Fora o fato da linha funcionar poucas vezes ao dia e o executivo ser um preço absurdo de mais de 34 reais. Para efeitos de comparação, o preço do terminal Alvorada até Petrópolis é de 30,69 segundo o site da Única (preço de 2023). 

Por outro lado, também é possível ver um outro lado do passageiro que prefere seguir a viagem toda num transporte só, não se importando se leve tempo a mais, principalmente na volta para casa. Mas mesmo por esse ponto de vista, o passageiro ainda consegue ir do terminal Alvorada até o terminal Jardim Oceânico com relativo conforto, ainda mais com a chegada dos BRTs amarelinhos, e com um tempo de trajeto excelente, dadas as condições terríveis de trânsito na Barra. E do terminal Jardim Oceânico, pode também optar por ônibus para a Gávea (550, 555, 565, Integrada 1) ou o próprio metrô  (mais caro) até Antero de Quental ou Botafogo para pegar os ônibus para Niterói. Num cenário de integração tarifária e acessível (sem precisar andar muito), o caminho BRT+Metrô+Barcas seria o mais confiável para o centro de Niterói. Já o caminho Ônibus para Gávea (309, Integradas, 565) + ônibus para Niterói seria o caminho com menos transbordos e seria pouco diferente do que propõe a linha atual. O caminho da Linha amarela, que pode ter engarrafamentos (como qualquer caminho para a Barra) acaba cumprindo o propósito de alternativa dos caminhos já saturados pela Zona Sul e também de permitir o passageiro apenas ficar em um transporte e não se preocupar com transbordos.  

Creio que muitos passageiros estejam dando esse feedback de alguma maneira para a empresa, que pode se interessar em movimentar a mudança. Por enquanto, resta a festa da secretaria de transportes por uma solução que não se integra com o transporte da cidade e parece não ser eficiente nem para a operadora nem para os passageiros.

3 de dez. de 2023

Proposta de alteração da linha 987 Gardênia x Pechincha e reativação da 939 Gardênia x Tanque

Originalmente postada no Cadê a linha 6 do metrô  


Linha 987 Gardênia x Pechincha - foto retirada do site da prefeitura

Neste post, trago uma linha surgida em 2023 e que foi fruto de grandes erros na inclusão de conexões de certas áreas da região metropolitana do Rio. Falo da linha 987 Gardênia Azul x Pechincha, que foi o que sobrou de três linhas que operavam e bem antes da decadência do transporte do Rio. A linha pega trechos da antiga 886 (que mais antigamente ainda, operava com S750), entre a Gardênia e a Estrada do Bananal, pegando a Uruçanga; a linha 887 (que já teve o número S751), nos trechos da Estrada do Pau Ferro e Retiro; e a linha 939 (fragmento da antiga 636, que hoje só opera entre a Taquara e a Tijuca), representando a ligação Anil x Taquara pela Freguesia. 

    

987 Gardênia Azul via Uruçanga - retirada do G1

A linha é um verdadeiro monstro do Frankenstein, com remendos dessas três linhas e o principal, sem conexão com o BRT. Ora, se a motivação para o corte das linhas originais foi a sobreposição alegada com trechos do BRT - o que não se justifica e vou explicar mais abaixo - por que os moradores dos lugares onde só o 987 passa não tem como finalizar sua viagem em um terminal do BRT - seja na direção da Barra, por exemplo, no Via Parque ou Rio 2, seja na direção da Taquara, na própria Taquara ou no Tanque. Em resumo, moradores que, antes do BRT, podiam ir de suas casas direto para a Barra ou Taquara com uma só condução, agora precisam de 3, e só conseguem pagar uma só passagem se uma das conduções for o BRT. Se ao menos isso se refletisse em redução de tempo de deslocamento, mas não é o caso. 

A alegada sobreposição do BRT com as finadas linhas é bem curta na direção Barra, portanto, do ponto de vista de ser concorrente ao BRT, é uma desculpa que não cola. Outra alegação é de que o trecho entre a Gardênia e a Barra para melhorar o intervalo da linha é justamente numa parte com muito engarrafamento e de fato é. As antigas linhas 886 e 887 iam até a Alvorada e ainda passavam no Barra Shopping e essa é uma região com trânsito muito intenso. Mas para cortar, a melhor solução poderia ser fazer a linha ser circular no Via Parque, passando por debaixo da antiga ponte estaiada e talvez ajudando um pouco quem tivesse como destino final o Península (apesar de não ser perto, já deixaria mais perto que qualquer outra linha), podendo ser a lateral do Via Parque um ponto de apoio, como era com a antiga linha 225 que passou a ser 345 e hoje, também foi fagocitada para operar uma parcial da parcial,  a 645 Jardim Oceânico x Saens Peña.

645 Saens Peña x Jardim Oceânico (retirada do site da prefeitura)

Outra alternativa para conectar o 987 ao BRT na ponta da Gardênia é fazer a conexão com a Avenida Abelardo Bueno, que é tão necessitada de ônibus, podendo aliviar o 613 que passa extremamente cheio nos horários de pico e ainda enche mais na passarela da Gardênia pois boa parte dos passageiros prefere fazer a conexão ali com uma linha comum que descer no Via Parque e ter que fazer uma viagem negativa e possivelmente pegar trânsito sem necessidade. Nessa alternativa, a linha poderia fazer ponto final no shopping Metropolitano ou no Rio 2. No shopping, espaço é que não falta nas ruas ao redor com a vantagem de ser uma viagem mais curta e minimizar o risco dos problemas de intervalo. E há uma grande demanda reprimida para o shopping, além de, claro, permitir ao passageiro terminar sua viagem no BRT, acessando as estações Metropolitano ou Rede Sarah. Já terminando no Rio 2, talvez na lateral da Jeunesse Arena, teria uma demanda grande de pessoas que já fariam a integração com o BRT, além de permitir a integração com uma estação Expresso, que dá acesso a lugares mais distantes como Sulacap e Vicente de Carvalho. 

Já na ponta do Pechincha, também foi infeliz a decisão de não finalizar a viagem nos terminais da Taquara ou do Tanque, já que linha já passa bem próxima. Também existe a questão do trecho desta ligação ser bem engarrafado e poder atrapalhar o intervalo. Mas, não havendo a conexão na Barra, que fosse na Taquara para ter acesso ao BRT pelo menos. Porém, a melhor solução parece ser a conexão na Barra e o retorno da linha 939 Gardênia Azul x Tanque via Taquara, para permitir a comunicação entre a Estrada do Engenho d'água com a Freguesia e a Taquara, coisa que não existe atualmente e acaba tendo que ser feita pela linha 987 dando mais volta e pegando 2 ônibus. Ou até mesmo o retorno da linha 636 no seu trajeto original, Gardênia Azul x Saens Peña, já que, lá atrás, a alegação do encurtamento da linha foi a soberposição do BRT. 

Uma pequena recapitulação sobre o 636: após a inauguração do BRT e o encurtamento das linhas, o 636 passou a ser Madureira x Saens Peña, sendo criada uma nova linha para o trecho Gardênia x Tanque, a 939A. A sobreposição da linha, entre a Taquara e Madureira, deveria ser feita por BRT e, nessa configuração, era possível fazer o caminho completo, pagando uma passagem, com a desvantagem de ter que esperar pela condução por  3 vezes. Na época, não era possível pagar 3 ônibus por uma passagem, mas havia uma exceção para as linhas alimentadoras. Não muito tempo depois, o 636 teve um trecho recuperado, passando a operar como Praça Seca x Saens Peña. Ficou um bom tempo nesse trajeto, mas acabou tendo mais um trecho recuperado, passando a ser Tanque x Saens Peña e fazendo integração direta com o 939. Nessa época, o mecanismo das linhas alimentadoras já havia sido extinto, caindo o "A" na numeração do 939, ou seja, não era mais possível pegar 3 ônibus se fosse um BRT e uma alimentadora. Chegou a ser comunicado o retorno da linha completa, assim como foi feito com o 766 e o 918. Após a pandemia, a linha 939 foi simplesmente "esquecida" pela operadora que, após o mecanismo da prefeitura para retorno de linhas abandonadas, alegou retorno do 939 na forma da colcha de retalhos que é a 987. Mas, há de se frisar que a 987 não faz as conexões que a 939 fazia e que a melhor solução seria ter o 987 e o 939 convivendo. Não faz sentido reduzir o trajeto do 636 por concorrência com o BRT se hoje, todo o trecho de sobreposição do BRT foi readicionado, e o trecho que fazia alimentação dos bairros com o BRT foi extinto. 

É compreensível que há problemas na distribuição dos recursos de transportes na cidade do Rio, o que fica bem visível na quantidade de empresas fechadas nos últimos anos. As empresas restantes acabam assumindo linhas demais e o serviço decai e, por conta disso, perde-se em alguns lados do transporte. Mas, se empresas saem do consórcio, deveriam vir novas e assumir as linhas, em vez do aparente comportamento de monopólio dos mesmos grupos que sempre dominam o transporte. Não é admissível perder conexões que existiam na cidade para conviver com má administração de outras empresas no passado. E, mesmo na filosofia de racionamento, certas coisas simplesmente não fazem sentido e parecem ser fruto de quem está desenhando o transporte sem ouvir a população, apenas no modo teórico. A linha 987 pode ser refinada e deve ser pensada como um modo de localidades menos servidas de transporte (Uruçanga, Pau Ferro e Retiro) terem a possibilidade de serem acessadas a partir de rotas mais troncais e na região, a única que existe é o BRT. Torço para que alguém influente leia esse post e traga a pauta de revisão das linhas 987 indo até o Metropolitano ou Via Parque e 636 retornando ao trajeto original na Gardênia ou tendo sua perna 939 reativada. 

Quem sou eu

Raphael Fernandes
Carioca, Brasileiro, Estudante de Robótica
Hiperativo, Imperativo
Gosto de tecnologia, de transporte, de Rock, de reclamar e de propagandas criativas (e outras coisas que posso ter falado em um post ou não)
Musicalmente falando, sou assim.

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