22 de ago de 2011

Idade (Ernesto Sábato)

Que se pode fazer em oitenta anos? Provavelmente, começar a se dar conta de como se deve viver e quais são as três ou quatro coisas que valem a pena.

Um programa honesto requer oitocentos anos. Os primeiros cem seriam dedicados aos jogos próprios da idade, dirigidos por preceptores de quinhentos anos, terminada a educação superior, poder-se-ia fazer algo de proveitoso; o casamento não deveria ocorrer antes dos quinhentos; os últimos cem anos de vida poderiam ser dedicados à sabedoria.

E ao final dos oitocentos anos talvez se começasse a saber como viver e quais são as três ou quatro coisas que valem a pena.

Um programa honesto requer oito mil anos...

Ernesto Sábato - Nós e o Universo

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Música do dia: Keane (Sunshine)

21 de ago de 2011

Impossível errar

Relacione as músicas a seus filmes (se você viu esses filmes, nunca mais vai se livrar dessa correlação):

1


2


3








sopɐɥɔǝɟ ɯǝq soɥ1o ǝp 3 ɐɔıuâɔǝɯ ɐظuɐɹɐ1 2 ɐçuɐbuıʌ ǝp ʌ 1 :sɐʇsodsǝɹ


Aberto a outras sugestões (que não trilhas sonoras específicas, senão fica mole, como Inception, Harry Potter e Jurassic Park, os dois últimos do genial John Williams)

20 de ago de 2011

Resenha: "O Céu e o Inferno" de Aldous Huxley - Drogas, Artes, Religião e Alucinação

!SPOILLER ALERT!
Este ensaio, continuação do ensaio "As portas da Percepção", prossegue discorrendo sobre os efeitos de algumas drogas (com ênfase para a Mescalina e o Ácido Lisérgico, que está presente no LSD), e expande essa análise para a influência da obras de arte e jóias e da religião e seus rituais.

Sua análise da mente usa uma metáfora com o descobrimento da América (Novo Mundo) e Oceania (Novíssimo) pela humanidade, quando se deparou com diferentes espécies de animais e diferentes rituais. O acesso às portas da muralha - ou seja, o acesso da consciência - devido ao uso da Mescalina (por exemplo) ou através da hipnose, provoca uma reação semelhante à descoberta das novas terras e a consciência usual é chamada de "'Velho Mundo' do consciente". O efeito da droga é explicado como sendo a atuação da mesma em enzimas que levam açúcar para o cérebro, de maneira que sua eficiência é reduzida, tornando o cérebro menos eficaz no processo de filtragem e abrindo as "portas da percepção". Esta queda nos níveis de açúcar também está diretamente relacionado a alucinações devido a longos períodos de jejum. Ou seja, períodos prolongados de jejum podem provocar distorção da realidade e há uma relação bem próxima com certos procedimentos religiosos ao ponto em que algumas épocas do ano são destinadas ao jejum, tornando o cérebro mais propenso a visões logo relacionadas à própria religião. Uma característica semelhante é, também, a descrição por diferentes religiões, da vida após a morte, geralmente associadas a luzes e cores intensas.


"O subnutrido tede a ser dominado por ânsias, depressões, hipocondria e sentimentos de angústia. É, também, capaz de ter visões [...]"

Outra técnica utilizada por religiosos que pode ser explicada no campo da busca fisiológica pelo Paraíso, é a da autoflagelação. A explicação está no fato de que a mesma provoca aumento da adrenalina ("alguns produtos de sua decomposição são reconhecidos como causadores de sintomas que lembram os da esquizofrenia") aliado ao fato de que as feridas sob cicatrização podem alterar o teor de substâncias no sangue, desregulando os padrões da "válvula redutora".

Há, ainda, a forma de se "elevar" tendo relação com a respiração, à medida em que a concentração de Dióxido de Carbono no sangue se eleva. Cita-se as repetições praticadas em cultos religiosos (quem sabe os gritos dos evangélicos?) como tendo relação com este fato para se atingir elevação espiritual. E podemos pensar nas técnicas de respiração usadas em algumas religiões de origem oriental como sendo apenas mais um exemplo dessa tática de elevação.

"Tocando certas áreas do cérebro com um eletrodo finíssimo, Penfield conseguiu provocar a reavivação de uma longa série de recordações presas a determinada experiência passada. Essa reavivação, além de precisa em todos os seus pormenores de percepções, foi também acompanhada por todas as emoções que foram provoadas, a seu tempo, pelos fatos. O paciente [...] achou-se, simultaneamente, em duas épocas e lugares - na sala de operação, no presente, e no lar de sua infância.[...] Por que insistem todos os visionários na impossibilidade de repetir, ainda que de forma vagamente semelhante, em forma e intensidade, suas experiências transfiguradoras?"


Revela também que existem certos padrões nas visões, mesmo em pessoas com diferentes visões de mundo e a íntima relação entre a necessidade de buscar essa "realidade alternativa" com atividades do cotidiano, além da religião. Por exemplo, cita as pedras preciosas, cujo brilho é parecido com a reação às cores sob efeito da Mescalina. O brilho e a raridade das gemas estão relacionadas à sua adoração pelo homens, mas não só por isso: também como uma busca pela fuga. E, relacionado a estes fatos, há a presença de Ouro e Jóias Preciosas em igrejas e templos.

"As gemas são raríssimas na Terra. [...] os doutrinadores dessa maioria assolada pela pobreza recibriram seus paraísos imaginários de pedras preciosas."

Assim, as jóias tornam-se uma arma de manipulação. O vidro seria como uma forma mais acessível de obter essas sensações visionárias, guardada a devida escala. A análise prossegue com a relação das cores e sua fascinação exercida, além das jóias, para roupas, esculturas e, principalmente, pinturas (citando inúmeros exemplos de pintores e suas obras para cada idéia desenvolvida). Falta também do teatro e suas técnicas de luzes, explicando algumas delas. O teatro, segundo Huxley, possui uma habilidade ímpar de transporte da mente. "mesmo o mais tolo dos espetáculos pode ser maravilhoso" (acho que só disse isso porque não tinha Stand-up Comedy na época, se tivesse, mudaria de opinião).

"Deus, insistirão eles, é um espírito e, pois, deve ser cultuado em espírito. [...] Acontece, porém, que de uma forma ou de outra, TODAS as nossas experiências são quimicamente condicionadas"

Há, também, a abordagem das visões negativas, da mente presa em labirintos, do esquizofrênico. Cita uma série de exemplos na arte (como paisagens de Van Gogh e os temas de Kafka). Explica como as visões negativas tornam a visão de mundo pessimista, distorcendo para pior, com sentimentos de compactação (ao contrário das visões positivas, onde o espírito se desgarra do corpo) e faz um paralelo entre essas reações cerebrais e os infernos das mitologias e religiões.

Por fim, conclui traçando uma perspectiva das sensações no leito de morte, as visões prometidas pelas religiões e os efeitos dessas práticas liberadoras da válvula de retrição do cérebro.

"Para os vivos, as portas do céu, do inferno e do purgatório abrem-se, não por meio de pesadas chaves duplas de metal, e sim pela presença, no sangue, de um conjunto de substâncias químicas e pela ausência de tantas outras."

O que aprendi:
As religiões estão muito mais que psicologicamente, mas fisiologicamente relacionadas com a necessidade de fuga da realidade. Períodos de fome intensa podem provocar distorção negativa da realidade (talvez explique porque anoréxicos tendem a ser depressivos e se envolver com drogas e álcool)

10 de ago de 2011

Música do dia



Única forma de salvar rap... (Faith no More também faz isso bem)


Walk this way, walk this way, walk this way
Walk this way
Just gimme a kiss
Like this

7 de ago de 2011

Resenha: "As portas da Percepção" de Aldous Huxley - Uma erva natural não pode te prejudicar

!SPOILLER ALERT!
Este "livro" (na verdade, um ensaio, não tem muitas páginas, cerca de 50) é um relato de Aldous Huxley (autor de "Admirável Mundo Novo" e "A Ilha") sobre sua experiência com a Mescalina , substância encontrada em cactos usados por nativos índios dos Estados Unidos e México. Na primeira parte, ele descreve as mudanças do mundo real para o mundo sob efeito da droga e, na segunda metade, dá sua conclusão filosófica acerca disso.

A primeira metade sobre os efeitos ilustra, com ajuda de um amigo com olhos científicos e da sua esposa, o que ele vê, abstrai e sente. Ele enfatiza o aumento na percepção das cores e a falta de percepção das formas geométricas e do tempo. Cita várias obras de arte, comparando sua percepção com a abertura da mente do artista para fazer arte, onde o artista, com seu talento, expõe detalhes que a mente comum simplesmente abstrai, e ele, sob efeito da Mescalina, podia perceber esses detalhes com maior prazer. Além disso, dá declarações de cunho religioso, como se a droga pudesse libertar um espiritualismo (citando, posteriormente, várias obras de Espiritualismo e Budismo). É importante citar a sua opinião sobre a ONISCIÊNCIA , onde o cérebro tem função de restringir essa onisciência e filtrar o que é fundamental para a sobrevivência, mas, sob efeito da Mescalina, há a liberação para melhor perceber, daí ter usado um trecho de uma citação de William Blake (presente no prólogo do livro) para dar o título ao ensaio. E declara "a familiaridade gera indiferença".

Huxley frisa também o caráter passivo provocado pela droga: "Ela nos permite chegar à contemplação, mas a uma contemplação que é incompatível com a ação e até mesmo com a vontade de agir, com a própria idéia de ação." Comenta sua "falta de vontade" de sair do lugar, quando convidado a ir para o exterior do recinto onde se encontrava e sob a sensação de não ser seu eu a sair, como se tivesse vendo seus movimentos como um espectador. Sobre a música (o efeito da Mescalina na percepção da música também é comentado em outro livro que estou lendo, "Alucinações Musicais" de Oliber Sacks), disse se sentir indiferente à música instrumental, mas fascinado pela música cantada, "Essas vozes são uma espécie de ponte que nos permite regressar ao mundo dos homens". E, durante sua "viagem", frisou que o efeito deveria ser o mundo como vemos: "É assim que precisamos ver as coisas. Isto é o tipo de coisa que precisa ser vista". Manteve comparação, também, com esquizofrênicos, que vêem o mundo como quem está sob efeito da Mescalina, entretanto, não possuem a certeza de que o efeito se acabará e ainda têm angústias que provocam algo do tipo "bad trip" ao perder o conforto do mundo "real".

A segunda parte, em meu ver, foi mais agradável de ser lida. É bem menos descritiva e mais filosófica, contando o que Huxley achava sobre as percepções, sobre as drogas, sobre religiões... Reafirma a importância de se ter uma percepção extrasensorial, ou talvez, da perda da filtragem da onisciência. Relata então a íntima relação entre religiões e o uso de substâncias psicoativas, em geral, acompanhadas de álcool. O efeito dessas drogas faz com que o fiel perceba o que a religião lhe promete, ou, na verdade, o que não consegue simplesmente pela fé, atuando como um complemento. Pensei em como isso poderia se relacionar com o Cristianismo, no máximo há o vinho do Padre, mas ele vem logo em seguida comentando a respeito do Cristianismo e, de fato, o cristianismo não estimula a desvinculação com o mundo concreto e uma viagem ao mundo abstrato sob efeito de alguma droga, e, naturalmente que o vinho não seria suficiente para isso, mas, estimula que a viagem ao mundo interior seja feita através da prece (acabei de lembrar da presença do incenso em missas, mas ainda assim, não é nada que se compare...) provocando, segundo Huxley, uma frustração pela falta da sensação de êxtase. Comenta que não há restrição quanto ao uso de álcool, usado, assim, pelas pessoas para conseguir o acesso às divindades que não conseguiria através da oração.

Huxley fala da necessidade das pessoas pela fuga da realidade, coisa que já tinha pensado a respeito e chegado à mesma conclusão. De fato, pensando nos efeitos maléficos do álcool (este menos, pois existem estudos que comprovam que pode ser benéfico, sob doses baixas) e do cigarro (este sim, mais especificamente, porque é constituído, basicamente, de malefícios) e o fato de não serem proibidos, eu penso que, caso fossem proibidos (e , de fato, controlados), estaríamos sob o risco de um pandemônio. Pessoas ansiosas tendo ataques de falta de controle, pensamentos de morte presentes o tempo todo, falta de inibição social... Ás vezes penso que é preciso muita coragem para ser sóbrio. E que o cigarro não sai da vida por algum controle social. Mendigos fumam, poderiam se tornar agressivos... Pessoas em profissões de alto estresse fumam, poderia vir a surtar e funções fundamentais da sociedade poderiam não ter quem as desempenhasse. E Huxley comenta esse ponto, afirmando que apesar dos efeitos de câncer e de acidentes, o consumo ainda existe. Há a necessidade. Ser louco é uma virtude. E há um ponto do livro que me fez lembrar muito do "soma" de "Admirável Mundo Novo", onde ele disse que era necessário que a sociedade buscasse uma droga com mínimos efeitos colaterais e suficientes para conseguirmos acessar nosso interior e abstrair de nossas angústias. "Precisar-se-ia, pois , de uma nova droga que aliviasse e consolasse nossos semelhantes que sofrem, sem lhes causar dano maior, após um período prolongado de tempo, do que o bem que ela lhes pudesse proporcionar de imediato". E que essa droga não seria a Mescalina, dado seu efeito de "bad trip" em pessoas com depressão e/ou com angústias e rancores, mas sendo uma das melhores opções, mostrando que não vicia os índios (passam períodos sem uso, sem perda de habilidades) e não altera o caráter (usuários nas aldeias são até menos agressivos que os não usuários). E conclui afirmando que "o homem que vem de cruzar de novo a Porta na Muralha jamais será igual ao que partira para essa viagem", sendo importante que as mentes ativas passassem por essa experiência de percepção para entender mais o interior, apresentando grandes avanços sociais, científicos e tecnológicos.

4 de ago de 2011

Avidemux - noções básicas

Acelerar Vídeo:
Para acelerar um vídeo no Linux / Ubuntu, podemos usar o Avidemux (está no 'Central de Programas Ubuntu'). Abrimos o Avidemux (Aplicativos, Multimídia, Avidemux (GTK+) ) e carregamos o arquivo em Arquivo, Open. Para acelerar, Video, Frame Rate e é só aumentar o número ali para acelerar o vídeo.

Girar Vídeo:
Para girar, devemos ir em Video, Filters. Entretanto, ao acessar essa opção recebi o aviso Video filters cannot be applied in Copy mode: To apply filters the video must be transcoded. Alterei, então, o decoder de vídeo para MPEG-4 (bom, não entendo disso, mas tem diferenças entre cada um dos ítens, escolhi o que não dava problema) e cliquei em Filters.

Mandei salvar, então, e esperei terminar a codificação. Eis o resultado:



PS: O frame rate padrão estava como 30,000 e coloquei pra 300,00 mas crashou na hora de salvar... Deixei com 90,000 e deu certinho.

3 de ago de 2011

Para quem não tem nada pra fazer 11

Se é humor que você, se você quer rir pro caralho, você está no lugar cert!!!!onze!
-Imagens:

Emoticons ontem e hoje

...e anteontem (emoticons antigos do ICQ!)



Meteoro da Solidão:

Joguem o joguinho do Angry Birds com cogumelos do Mário no Haznos: http://hgames.org/site/raciocinio/angry-mushrooms

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Quem sou eu

Raphael Fernandes
Carioca, Brasileiro, Estudante de Robótica
Hiperativo, Imperativo
Gosto de tecnologia, de transporte, de Rock, de reclamar e de propagandas criativas (e outras coisas que posso ter falado em um post ou não)
Musicalmente falando, sou assim.

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