4 de fev de 2012

Mundo Pós-SOPA

Não é de hoje que penso em alternativas para o negócio da música. Sim, é um desafio muito grande, mas eu sou apenas uma cabeça cuja criatividade foi calejada por stress, períodos prolongados de fome e, principalmente, disciplinas da faculdade. Creio que os inúmeros funcionários de grandes gravadoras, os artistas e vários outros filósofos de boteco possam trazer algo de bom.


Vítima do seu download ilegal
Às gravadoras, é preciso inovar. Uma inovação, com seu lado lamentável, é verdade, foi essa propaganda inconveniente nos vídeos do Youtube. Há muito terror contra a propaganda que acho irracional, até, desde que não atrapalhe o visual e o bem-estar. Essas propagandas são chatas, muitas vezes estamos vendo vídeos em seqüência e vem aquele troço quebrar a seqüência. Talvez fosse melhor algo visual, é algo como se tivesse um Gol no futebol e o narrador tivesse gritado GOOOOL oferecido pela Skol, Guanabara, Volkswagen, ÉÉÉÉ DO FLAMENGOO. Apesar de horrível, é uma inovação, e, com suas aberrações, estamos podendo ouvir na internet nossas músicas. Espero que não se arrependam disso e acabem com o Youtube também, ficaria bastante xatiadu. A merda é que você quer usar sua música favorita num video caseiro que nem 50 pessoas vão ver e não pode por causa dos tubarões direitos autorais te caçando. Resultado? Vídeos de trechos d'Os Simpsons na internet são mais raros que Chansey na graminha, e, se achar, é um vídeo ao contrário, de cabeça pra baixo, com aceleração, dublado em alemão (ou seria russo, já que na URSS, quem proibe a Fox de publicar vídeos com Sipsons é VOCÊ). Sim, essas técnicas para enganar os bots da pirataria tão se espalhando, algumas vezes isso é bem desagradável, quando ouço músicas com tons levemente elevados (já vi com Metallica e Coldplay) e a ausência de comentários falando disso me faz pensar se sou só eu que percebo isso....


O que estão fazendo atualmente é desespero, desespero pode significar: preguiça de pensar ou falta de idéias. O primeiro seria um pecado gravíssimo, digno do desprezo que está já se formando na internet. O segundo, acho que não possa ser verdade, dado o grande número de pessoas pagas para pensar pelos diretores. Algumas idéias surgiram, é verdade. Além da VEVO, temos o exemplo do iTunes, com a idéia de acabar com o custo do material (CD, transporte) e repassar apenas o custo intelectual e de produção, mais o lucro. Supostamente, esta idéia justamente tornou o mp3 popular, não tirei isso de uma fonte confiável, me corrijam se estiver errado (vi num documentário sobre Steve Jobbs). Temos também o Radiohead, que fez algo além da caixa. Bastante tempo atrás, da época que eu lia Veja (perdoem-me e, em minha defesa, digo que foi BASTANTE tempo atrás) alguma dessas duplas sertanejas que queria vender algo como um compacto (não sei se é exatamente esse o nome que davam) com 3 ou 4 músicas, que supostamente daria menor custo. Não lembro direito (eu não disse que faz muito tempo?!), mas não me parece uma idéia muito boa. Então vamos à primeira questão:


1 - Y U SO CARO?

Um CD virgem ali na esquina custa 1 real. Para ele estar valendo 30 reais na loja, temos ai uma valorização tremenda. Suponhamos que cada música seja 1 dólar no iTunes (novamente, eu não entendendo nada de apple-coisas, então, estou me baseando em coisas que podem ser irreais que ouvi nas filas de almoço da vida), 14 músicas * 1,70 reais = 24 reais. Tá, aí estaria perto dos 30 reais na loja... O que nos leva à segunda questão:


2 - Por que pagar se eu SEI que está disponível de graça?


Ninguém gosta de gastar dinheiro à toa. Bom, eu pelo menos não gosto. Gosto muito de música, até já comprei CDs, mesmo depois da banda larga (antes, realmente valia a pena comprar), sempre com a esperança de que viesse algo foda no encarte do CD. Uma das minhas maiores decepções foi abrir o Surfing With the Alien, do Joe Satriani, com sua capa foda psicodelica e só ter um papelzinho dizendo os componentes da equipe.


FAIL... XORA

Já com o Black Ice, excelente do Ac/Dc (que eu comprei porque não tinha um cabo pra levar do PC pro computador e queria ouvir altão no Microsystem), tive um belo brinde.


That's I'm talkin' 'bout

O que eu idealizava era vir com pôster, informações técnicas (dessas que a gente só descobre baixando na net vendo o DVD de documentário da banda) e curiosidades. Ainda que eu possa ver na internet essa bobeira toda, acho que uma informação mais direcionada, anexada ao disco, seja um chamariz. Eu tenho alguns CDs da Legião e acho que são a coisa mais próxima do que eu queria ver, letra das músicas, algumas ilustrações e informações técnicas na última página. Sim, eu tenho o Terra Letras pra ver a música, mas aí, o CD sequer vem com a letra? E publicar a letra, também é pirataria? E citar? Aonde vamos chegar!


Posto isso, é muito mais fácil e atrativo simplesmente baixar. Sem gasto calórico de ir até a loja. Sem ansiedade de a compra pela internet não chegar. Muito conveniente. E então a pessoa não compra o CD, mas vai nos shows, compra camisa oficial da turnê a preços inflacionários e ainda é um criminoso. Terceiro ponto:


3 - Por que não investir em produtos?
Tá aí algo que o Iron Maiden manja: Produtos oficiais. Desde a cerveja da dama de ferro aos próprios CDs, acho que muita gente enriquece os rapazes com compras da loja oficial. O esquema seria assim: os mp3 tão aí "de graça", o cara vira um fã incondicional, a ponto de fazer textos com botão de "ler mais" em facefights, defendendo o artista, e compra a camisa para mostrar o orgulho que tem de ser fã, tem o bonequinho que balança a cabeça pro cara atrás do carro encarar o Eddie no engarrafamento. Isso é legal. Infelizmente, ninguém pensa nesse nicho. 


O mundo pós-SOPA deve ser chato. Mas não acredito que o compartilhamento irá parar. É uma tecnologia já dominada, as gravadoras não podem vigiar todas as casas para ver quem tá transformando o CD em mp3 e compartilhando por baixo dos panos. Sempre haverá aquele servidor perdido no meio do oceano em que as leis de Júpiter que são válidas, como os paraísos fiscais para o dinheiro, terão os paraísos musicais ou autorais, algo assim (musicais não seria legal, temos que cunhar um termo que inclua vídeos, seriados e porn). O próprio CD é algo ultrapassado (tirando os dementes que diferenciam o bitrate de 320 para o FLAC, mas pra eles, até o CD é cuspido, bons tempo são os do LP que é original, apesar do ruído da agulha, vai entender). 


Uma idéia de SPAM. Todos vão clicar no VIROS (Calma, seu guarda, é BRIMKS,  não me coloque em cana, sou honesto)




Haverá mais medo e já estamos mudando nossos hábitos para estarmos numa boa com a lei (sinceramente, ser preso no Brasil por download de mp3 seria uma piada pronta), apesar de que os mais caçados serão mesmo os sites que "permitem" os downloads, lembrando que, não só pelos preciosos downloads, a SOPA é uma porcaria também porque vai ter poder de bisbilhotar e censurar, e ofensas contra a liberdade tornam a porra séria, daí a revolta de Google, Wikipédia, etc. 


Uma coisa que pode acontecer é que os downloads serão mais localizados. Deve diminuir essa tara por baixar milhões de CDs de bandas que nunca ouviu falar só porque uma música apareceu no rádio de uma cena secundária de um filme e você achou o.k. Isso pode ser ruim e bom. Bom na medida que vai poupar espaço no HD, brimks, você terá mais foco, não fomentará downloads que nem irá ouvir. Ruim que os gostos poderão voltar a ser restritos. Com os downloads, podemos conhecer muita coisa a fundo sem muito trabalho e ficar fã. Isso não afetaria bandas novas, que poderiam disponibilizar seus trabalhos em mp3 para todos. Talvez, o mundo pós-SOPA seja feito apenas de Parachutes, When Dream And Day Unite e Kill 'Em All. É, nada mau... 

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Quem sou eu

Raphael Fernandes
Carioca, Brasileiro, Estudante de Robótica
Hiperativo, Imperativo
Gosto de tecnologia, de transporte, de Rock, de reclamar e de propagandas criativas (e outras coisas que posso ter falado em um post ou não)
Musicalmente falando, sou assim.

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