29 de mar. de 2012

Licença para Correr

Muitas vezes, vejo gente correndo na rua. Como esporte ou como desesperado. Como esporte é algo de admirar mesmo, ter coragem de correr entre motoristas e motoqueiros loucos, em calçadas esburacadas, se livrar da vergonha dos olhares dos transeuntes, é de se admirar mesmo. Claro que alguns espaços são mais receptivos, por exemplo bosques e calçadão da praia. Já dei lá minha corrida na areia da praia, assim, do nada, e recebi alguns olhares. Deve ser o maior esforço que o calçadão...

Correr é algo mágico. Não sou muito de correr, quando quero vento passando pelas minhas orelhas, ando de bicicleta, sempre recompensador você estourar sua articulação e da bicicleta para, em seguida, descer uma boa ladeira. Mas, quem corre mesmo, assim, a pé, fala maravilhas. Sempre vem aquela imagem mental de propaganda de tênis.



Então, aí que entram os desesperados. Algumas vezes, vejo na rua, nos corredores e até em shoppings pessoas correndo. Sem a menor necessidade. Vencendo a barreira da pressão social de caminhar.Correr na chuva não vai adiantar (já provaram isso nos Caçadores de Mitos, todo mundo sabe), embora eu acredite que ai entre mais a teoria do peido x cagado, se você já vai ficar todo molhado, que seja o menor tempo possível, a quantidade de água que você vai tomar é a mesma quando t tende a infinito, qualquer que seja a velocidade... Então, que t seja um infinito menor. Correr para pegar o elevador, ok, dá para relevar, idem para transportes em geral (ônibus e vans, se bem que correr atrás desse último é burrice e ônibus, em geral, você corre pra se ferrar).

Esse texto foi inspirado em um rapaz que corria pela chuva e poças d'água, podendo ir pelo corredor de trás, fechado e sem desespero. Talvez fosse calouro, mas bolei essa hipótese. As pessoas precisam de uma desculpa para correr. Elas estão lá, o tempo todo, sedentas por uma corridinha, falta só um fator que diga na mente delas "a pressão social vai lhe perdoar se você correr nessa situação".

O ser humano é feito para correr. Somos animais fujões e caçadores, um ser vivo nessa situação de predador que também é caçado não tem outra opção senão colocar sebo nas canelas. Crianças correm sem parar na rua, se machucam, levantam correm mais, na sua energia típica. Por que é que crescem e param com isso? A energia não acaba (possivelmente é focada em outra coisa, adolescência no fap e adulto no stress). Então, na primeira oportunidade, corremos aos trancos e barrancos, alguns sem jeito.



E se todos parassem com essa bobeira de pressão social quanto a correr e todos corressem alucinados na rua? Ao menos não seria a bordo de automóveis, descontando toda sua frustração de não poder correr, avançando sinal vermelho.

2 comentários:

Alexandre Xavier disse...

Quando visitei a cidade de São Paulo percebi que os cidadãos de lá estão doentes e não percebem.

Ótimo texto.

Compartilho do mesmo pensamento seu.

Por isso, prefiro mil vezes a tranquilidade de João Pessoa ao alvoroço de São Paulo.

Raphael disse...

Obrigado pelo comentário, Alexandre. Essa vida em metrópoles é uma loucura mesmo, e se você não entrar na loucura é (até literalmente) atropelado

Quem sou eu

Raphael Fernandes
Carioca, Brasileiro, Estudante de Robótica
Hiperativo, Imperativo
Gosto de tecnologia, de transporte, de Rock, de reclamar e de propagandas criativas (e outras coisas que posso ter falado em um post ou não)
Musicalmente falando, sou assim.

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