6 de set de 2013

"Legalização" do Funk?

Recentemente, foi ressuscitada a questão da "descriminalização" do funk, dando-lhe status de "Movimento Social" (atenção, muitas aspas serão usadas daqui pra frente), através de um projeto de lei. Alguns pontos que me incomodam muito sobre essa discussão, tirando o fato óbvio que pra mim funk não é cultura. Vou falar aqui do funk mais "de raiz", e não dessas variações pop que só usam a batidinha, uma forma das gravadoras de cativar ouvintes dessa porcaria e ao mesmo tempo manter "a moral e bons costumes". Esses funks mais pops (Naldo, Anitta, Perlla) são até mais trabalhados e realmente, só tem a batida.

1 - Qual a relevância de um projeto de lei desse tipo?
Começa que, independentemente desse projeto, o funk existe, não tem ninguém privando o direito de ouvir o funk (apenas uma ou outra cara feia quando nós que não gostamos somos expostos). Me parece mais um projeto hipócrita, de uma busca por direitos por quem não tá nem aí pra isso, pelo contrário, passa por cima do direito do outro (adeus vida em sociedade).

2 - "Se o funk tem apologia, por que você não fala mal do Bezerra da Silva?"
Poderia dizer que nunca me botaram pra ouvir Bezerra da Silva forçado, mas vou falar disso mais pra frente. Bezerra da Silva fazia apologia, por assim dizer, de forma sutil e bem humorada. Não era algo do tipo "vou vender maconha pra ter um boné da kone" e sim "eu sei que você fuma um e gosta". Além do óbvio fato de Bezerra ter letra e música.

3 - "Se o problema do funk é com palavrão e violência, o que me dizer do seu precioso rock?"

4 - "Quando o samba começou, também sofria preconceito de gente de direita, conservador,  como você. Hoje em dia qualquer um cultua Noel Rosa, mas no início do século passado, eles eram desprezados pela sociedade. O funk quando for assumido como movimento cultural, também será assim"
Eu não sou conservador, inclusive, se você pegar "letras" de funks, possuem um conteúdo muito conservador. O que, pra mim, reflete o comportamento desse povo: são hipócritas. Hoje tão aí arrastando a bunda no pinto dos outros e amanhã, tão criticando a falta de vergonha de mulheres que abortam (sic), sob a bandeira da religião. Sobre comparar com Noel Rosa... Acho isso o cúmulo, o samba em geral tem partitura, instrumentos, não tem agressividade.

5 - "O funk fala sobre a realidade do povo"
Nunca ouvi um funk sobre o trem quebrado. Ou sobre o medo da bala perdida. O.K., pode ser que ele não se foque nas coisas boas. E as coisas boas são violência, ciúme, armas, álcool?

6 - "Fala mal do Marcelo D2 então"
Volte para o item 2. O som o D2 é bem feito (você pode ou não gostar, mas tem uma boa estrutura musical) e ele é um cara com críticas construtivas. Aliás, não conheço as letras do funk a fundo (poupei meus neurônios), mas me parece que falam mais do tráfico do que das drogas. D2 fala "legalize já", é o tipo de discurso que o traficante não apoia. E, como muitas vezes o funk está relacionado ao tráfico, através da proteção por trás da desordem, então não faria mesmo muito sentido.

7 - O seu direito acaba quando começa o meu... E o seu já passou muito do limite
Sempre tem uma "expressão cultural" te forçando a ouvir essa bosta. É o celularzinho no viva voz no transporte coletivo. É o carro parado com a mala aberta nas praças. É a festa em espaço público com som nas alturas em qualquer horário, inclusive de madrugada. É o baile funk no morro que impede o trabalhador que mora na favela (cadê os defensores dos direitos do morador da favela nessas horas?) de dormir e poder ter uma qualidade de vida melhor. Porque não é todo mundo que tá a fim de ficar acordado a noite toda em simpatia ao som do gueto.

Enfim, esse era só um desabafo que precisava fazer para registrar meu desprezo pela "glamourização da porcaria". Não existe porque proibir ou permitir o funk, porque ele já está aí. Mas tem todo o resto da cartilha de direitos a serem respeitados, principalmente a perturbação do sossego público. Sobre a incitação à violência, é o direito de expressão sendo garantido, só não quero que me perturbe me forçando a ouvir isso. Eu creio que o ser humano seja capaz de produzir cultura num nível acima desse. Considerar a "música"  do funk como cultura é menosprezar a capacidade criativa de todos nós. Sobre as vestimentas (nem vo falar da falsificação de produtos), isso pode ser considerado uma "tendência" do movimento e, mais uma vez, isso é independente de projetos de lei. Ninguém precisou de um projeto de lei pra marcar os punks como punks.

Nenhum comentário:

Quem sou eu

Raphael Fernandes
Carioca, Brasileiro, Estudante de Robótica
Hiperativo, Imperativo
Gosto de tecnologia, de transporte, de Rock, de reclamar e de propagandas criativas (e outras coisas que posso ter falado em um post ou não)
Musicalmente falando, sou assim.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Veja também...