17 de set de 2012

Calma: a longo prazo melhora, se Deus permitir

Ainda tenho esperança das coisas melhorarem. Você pode estar pensando que eu, de repente, virei um otimista, mas não. Digo que pode melhorar porque acredito no acesso à internet e às redes sociais. As pessoas, atualmente, se contentam com o lixo, aceitam - e até se orgulham disso - serem ignorantes e continuam votando mal. Elegeram Collor, Garotinho, Eduardo Paes... E eu ainda tenho esperança.

Muito além de ver carinhas de memes e tolices da internet, as redes sociais são um incentivo à discussão de idéias. Tudo bem que a maioria das discussões seja irracional e acabe como "facefight", mas é uma forma fácil de espalhar uma idéia, esmiuçá-la, se for do interesse. Substituindo os antigos panfletos, que tiveram sua utilidade em 1800 e antigamentes e a imprensa, as redes sociais têm a capacidade de notificar uma população, de mover idéias e de facilitar o acesso à informação. Apesar de muito tempo na internet ser usado apenas para bobagens, ainda é uma boa fonte de consulta. Ainda que tenha seus problemas de fontes confiáveis: não podemos confiar em tudo que achamos no Google, mas, usando-se a sabedoria das multidões, pode-se filtrar o que é calúnia e o que é fato. A menos que arrumem um jeito de manipular - e estão tentando - é a maneira mais promissora da crowd knowledge.

O povo é sábio, na média. Desde que não haja interferência na sua ignorância. O problema da democracia atual reside no fato de que é influenciada pela mídia , que não atua mais como uma passadora de informação, mas atua na informação. Além disso, o sistema utilizado no Brasil envolve tempo de televisão desigual para candidatos e o obscuro sistema Coeficiente Eleitoral, no qual pessoas que sequer sabem fazer conta ou cantar o hino nacional são supostas capazes de entender. Como podem reclamar de um sistema que nem entendem? Mas a questão toda é que, por mais que as pessoas sejam estúpidas e "ingênuas", elas não vão se contentar com o lixo para sempre. Pouco a pouco, a exigência vai se tornando maior. Como disse, as redes sociais são uma esperança de tornar a troca de informações mais eficiente. E, pouco a pouco, as pessoas vão se dando conta de que a vida delas não é uma festa.

O problema está no fato de que é um processo muito lento e o Brazil te um histórico de ditaduras. As ditaduras sempre foram aclamadas pelo povo que, em sua ignorância, bate palmas para a falta de liberdade. O processo de exigência maior (se refletindo num voto mais consciente) não pode ser atrapalhado por uma ditadura, e este é o perigo. Temos um ambiente muito favorável para uma Teocracia, com direito a forte intolerância, perseguição a "diferentes e sem bases concretas. A religião conseguiu acabar com todo o avanço cultural e científico dos árabes (sim, eles inventaram os nossos números e hoje se explodem) e deixar este país na miséria seria molezinha. Esta é minha preocupação.

Nossos problemas não serão resolvidos em uma eleição. Vamos continuar fazendo cagada, mas cada vez serão cagadas mais estilosas, a exigência vai subir aos poucos e a renovação da política vai se dar com o apoio das redes sociais. Em breve, com câmeras de bolso e denúncias espalhadas pela rede, a tolerância com o político fazendo o errado vai diminuir à medida em que o conhecimento e o impacto de que o que ele fez aumentará. Então, que Deus nos livre de uma Teocracia e que o processo da democracia, ainda que gradual e lento, vá substituindo medalhões das artimanhas políticas e povo ignorante, por líderes dignos eleitos por um povo exigente. Talvez seja esse o caminho de quebrar o círculo.

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Quem sou eu

Raphael Fernandes
Carioca, Brasileiro, Estudante de Robótica
Hiperativo, Imperativo
Gosto de tecnologia, de transporte, de Rock, de reclamar e de propagandas criativas (e outras coisas que posso ter falado em um post ou não)
Musicalmente falando, sou assim.

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